“Não há restrição de idade para brincar o Carnaval: os cuidados com a saúde, no entanto, devem ser reforçados por quem tem mais de 60 anos”

Nizete Félix herdou do pai a paixão pelo Carnaval

O arrastão que o Carnaval promove não tem restrição de idade. Cada folião, dentro do seu ritmo, procura aproveitar desde as prévias até os dias oficiais da festa de Momo. Engana-se quem pensa que na terceira idade essa animação diminui. Ao contrário, o amor por essa festividade popular só aumenta ao longo dos anos. Entretanto, com o avançar da idade é necessário redobrar os cuidados com a saúde. Hidratação e uma boa alimentação são fundamentais para se chegar até a quarta-feira de Cinzas com pique para curtir o ano inteiro.

Aos 68 anos, Nizete Félix Cavalcanti herdou do seu pai a paixão pelos blocos e concursos. “Meu pai era um grande carnavalesco, e isso passou para toda a família. Já fui eleita rainha pela Federação dos Idosos de Pernambuco, em 2015, participei dos blocos líricos Ilusões, Utopia da Paixão e agora fui convidada para participar do bloco da Esperança”, declarou. Ela também concorreu pela oitava vez ao 9º Concurso da Rainha do Baile Municipal da Pessoa Idosa, que ocorreu no último dia 23, no Paço Alfandega, mas não venceu. O 17º Baile da Pessoa Idosa do Recife será realizado esta terça (6), no Classic Hall, e é organizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Juventude, Políticas sobre Drogas e Direitos Humanos.

Outro folião que cresceu brincando o Carnaval é o artista plástico Maurício Claudino de Oliveira, de 63 anos. Natural de Caruaru, quando criança, ele via passar pelas ruas da cidade a La Ursa e desde então não perde nenhum bloco. “O Carnaval, para mim, é a consciência da minha regionalidade, estou sempre acompanhando os blocos de rua e participando de vários bailes. É um presente ter chegado a essa idade e conseguir representar o frevo”, disse. Maurício Claudino leva tão a sério a festividade popular que trabalhou por dois meses na fantasia em referência ao conde Maurício de Nassau.

Mas o Carnaval não é apenas folia, o período também é conhecido pelas histórias de amores, e por que não dizer, desamores. O aposentado José Loreto, de 74 anos, procura não perder nenhum bloco e, por conta desse ritmo frenético, seu casamento acabou não resistindo. Separado há 40 anos, José disse que um dos motivos pelo qual se divorciou e preferiu não casar de novo, é o fato de ser apaixonado pelo Carnaval. “Minha ex-esposa não gostava de Carnaval, esse foi um dos motivos que nos levou a separação. Resolvi não me casar mais, já encontrei muitos amores, mas é preciso acompanhar meu ritmo”, relatou o aposentado.

Há quem consiga encontrar seu par durante as festas, como é o caso do rei do Carnaval do Baile Municipal da Pessoa Idosa 2018, José Florentino da Silva, de 90 anos, e a rainha da edição do ano passado, Maria Gilda, de 77 anos. Eles se conheceram em 2012, quando José Florentino foi eleito rei daquela edição. “Eu já era viúva havia 12 anos, e foram os meus filhos que me mostraram ele. Me candidatei a rainha e me apresentei também. Depois disso nós fomos nos aproximando, nos conhecendo, até que quase no fim daquele ano, decidimos morar juntos”, declarou Maria Gilda.

Cuidados
A médica de saúde da família, especializada em geriatria, Fátima Nepomuceno, explica que, para o público da terceira idade é recomendável cuidados redobrados em relação à hidratação e alimentação. Os idosos retêm menos água do organismo, então é muito importante a reposição de água, principalmente daqueles que consomem bebida alcoólica. Queimadura é outra preocupação nesse período. “A pele do idoso é muito mais sensível, é uma pele com rugas. O uso do protetor solar é imprescindível para não acontecer à queimadura de 1º grau”, recomendou a doutora.

Para aqueles idosos que já possuem alguns problemas de saúde como hipertensão, diabetes e artrose, a geriatra Fátima Nepomuceno enfatiza que os remédios e as restrições alimentares devem ser mantidos. Nos casos de artrose, é necessário respeitar o tempo de descanso. “É possível brincar o Carnaval em qualquer idade, desde que seja com responsabilidade”, conclui. O motorista Eliezer Gomes de Oliveira, de 62 anos, segue à risca todos os cuidados para conseguir brincar o Carnaval. “Dou minhas caminhadas na praia, bebo muita água e tenho uma alimentação bastante equilibrada”, afirmou.

Fonte da matéria e créditos das fotos: Folha de Pernambuco – Por: Mirella Araújo da Folha de Pernambuco em 06/02/18 às 06H06, atualizado em 06/02/18 às 08H05Foliões

Envelhecimento, solidão e convivência nas cidades

Fabio Ribas
07/01/2018

Estudos apontam que a solidão, a depressão e a qualidade de vida são variáveis inter-relacionadas que determinam o nível de bem-estar das pessoas (em especial das pessoas idosas), e que a manutenção de vínculos e relações sociais ativas ajuda a reduzir os níveis de isolamento e depressão, e contribui para uma melhor qualidade de vida.

Recentemente o governo da Inglaterra atribuiu ao seu Ministério do Esporte e da Sociedade Civil a tarefa de planejar políticas públicas de apoio a pessoas que se sentem sozinhas. Pesquisas apontaram que cerca de 9 milhões de habitantes do Reino Unido frequentemente ou sempre se sentem solitários, que a maioria das pessoas com mais de 75 anos de idade vive sozinha e que cerca de 200 mil idosos não conversaram com um amigo no mês anterior ao que os levantamentos foram realizados. Ao tomar essa decisão, a primeira-ministra britânica convocou os habitantes de todo o país para que se envolvam em ações que ajudem a “enfrentar a solidão sofrida pelos idosos, pelos cuidadores, por aqueles que perderam amores – pessoas que não têm ninguém para conversar ou compartilhar seus pensamentos e experiências”.

A perda ou redução de contatos afetivos e sociais das pessoas idosas precisa ser enfrentada por um conjunto de iniciativas.

A criação e multiplicação de centros-dia para pessoas idosas, adequadamente estruturados, contribui para a redução dos níveis de solidão e depressão e para a ampliação dos vínculos de convivência social de pessoas idosas que possuem graus moderados de dependência física ou de perda cognitiva.

Outras instituições e associações que atendem ou congregam idosos (centros de convivência e fortalecimento de vínculos, organizações da sociedade civil que ofertam serviços sociais ou educacionais para idosos, associações de aposentados, projetos que estimulam o protagonismo social e a participação cidadã dos idosos) podem desempenhar papel igualmente importante, não apenas para a população idosa mas para toda a sociedade.

Porém, é essencial que a vida nas cidades, comunidades e bairros possa ser melhorada no sentido de promover a convivência respeitosa e afetiva entre pessoas de todas as idades. Aqui, o grande desafio é a superação das barreiras comunicativas entre as gerações e a ampliação dos vínculos de convivência democrática entre as pessoas.

O Guia Cidade Amiga do Idoso , elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), listou os principais eixos que determinam a capacidade das cidades para aumentar a qualidade de vida das pessoas que envelhecem. Esses eixos foram definidos com base em consulta a grupos de pessoas idosas residentes em 33 cidades de todas as regiões do mundo. Nas consultas, a OMS pediu que os idosos apontassem as vantagens e as barreiras que encontram em diferentes aspectos da vida urbana.

Um dos eixos apontados refere-se aos mecanismos e oportunidades que as cidades dispõem para favorecer a participação social das pessoas idosas: participação em atividades de lazer, sociais, culturais e espirituais na comunidade, e também junto à família, que permitam aos idosos exercer a sua autonomia, gozar de respeito e estima, e manter ou formar relacionamentos de apoio e carinho.

Segundo o Guia Cidade Amiga do Idoso: “Os idosos relatam perceber comportamentos e atitudes conflitantes em relação a eles. Por um lado, muitos se sentem respeitados, reconhecidos e incluídos; por outro, experimentam uma falta de consideração da comunidade, e também de prestadores de serviços e da sua família. Esse embate se explica pela mudança pela qual a sociedade está passando, pelas normas de comportamento, pela falta de contato entre as gerações e pelo desconhecimento generalizado do processo de envelhecimento e do que é ser velho. Ficou claro pelo estudo realizado que o respeito e a inclusão social dos idosos dependem de outros fatores, além das mudanças sociais: cultura, gênero, condição de saúde e status econômico têm um papel importante na inserção social dos idosos”.

Em suma, a redução da solidão e a promoção da inclusão social são objetivos complementares, cuja concretização interessa aos cidadãos de todas as idades que valorizam o bem-estar da coletividade.

Fonte: http://prattein.com.br/home/index.php?option=com_content&view=category&id=98:estudos-e-indicadores-sobre-envelhecimento&Itemid=188